O seu browser não suporta Java

 

Índice

Objectivos

Introdução

Procedimento Experimental

Discussão

Conclusão

Bibliografia

Estudo da Funária

Objectivos:

  • Identificar as várias estruturas da funária

  • Identificar os tipos de reprodução assexuada existente

  • Compreender e interpretar o ciclo de vida da funária (reprodução sexuada)

  • Determinar se a funária é um ser diplonte, haplonte ou haplodiplonte

  • Identificar o tipo de meiose envolvente no ciclo de vida

  • Identificar a geração mais evoluída

  • Distinguir espécies monóicas de dióicas

  • Identificar se é uma espécie dióica ou monóica

  • Classificar os esporos quanto à sua morfologia (isospóricos ou heterospóricos)

  • Identificar a Funária quanto à produção de gâmetas (isogâmicas ou heterogâmicas)

Introdução:

O Reino Plantae

Figura 1 (Internet)

Os seres vivos estão distribuídos por 5 reinos:

  • Monera

  • Protista

  • Fungi

  • Plantal

  • Animália

Por sua vez, cada reino, subdivide-se em filo (divisão), classe, ordem, família, género e espécie.

O conceito de Reino das plantas evolui ao longo da história da classificação dos seres vivos.

Inicialmente, quando eram apenas considerados dois reino, Animal e Plantal, grande diversidade de organismos, tais como as bactérias, passavam a incluir-se no reino Protista. Na classificação (dos seres vivos) em quatro reinos, Animal, Plantal, Protista e Monera, não houve alteração significativa em relação aos seres colocados nas plantas.

Whittaker considerou que os fungos apresentavam algumas características diferentes da maioria das plantas, passando a incluí-los num novo reino, o Reino Fungi.

No reino das plantas, actualmente inclui seres multicelulares, fotossintéticas, portanto autotróficos, com progressiva diferenciação de tecidos.

Os cloroplastos são estruturas altamente diferenciadas e os pigmentos fotossintéticos incluem as clorofilas a e b e caratenóides.

O amido e a celulose são, respectivamente polissacarídeo de reserva e polissacarídeo estrutural, em que este último, é o mais comum, fazendo parte da estrutura da parede esquelética.

Ciclos de vida

O ciclo de vida dos seres vivos que se reproduzem sexuadamente apresenta dois fenómenos complementares, a fecundação e a meiose.

A junção ao acaso de cromossomas de origem paterna e materna aumenta a variabilidade de ovos.

Por outro lado a meiose conduz à redução do número de cromossomas, isto é, células diplóides originam células haplóides. Assim o ciclo de vida dos seres que se reproduzem sexuadamente apresenta alternância de fases nucleares: uma constituída por células diplóides resultantes da fecundação – fase diplóide ou diplofase; e outra constituída por células haplóides resultantes da meiose - fase haplóide ou haplofase.

A Meiose pode ocorrer em momentos diferentes dos ciclos de vida. Pode ser:

  • Meiose pós-zigótica – quando ocorre após a formação do ovo ou zigoto.

  • Meiose pré-espórica – quando a meiose ocorre na formação de esporos.

  • Meiose pré – quando ocorre durante a formação dos gâmetas.

O momento da meiose e da fecundação determinam três tipos de ciclos de vida:

  • Ciclo haplonte

  • Ciclo diplonte

  • Ciclo haplodiplonte

No ciclo haplonte a fase haplóide predomina em relação á fase diplóide. A fase diplóide é constituída unicamente pelo ovo. A meiose, neste ciclo, é pós-zigótica e ocorre imediatamente após a fecundação. Não há alternância nítida de fases nucleares. É característico dos seres haplontes (ex.: espirogira).

No ciclo diplonte, tal como o nome indica, a diplóide predomina em relação à fase haplóide, devido à meiose ocorrer na formação dos gâmetas. A meiose é pré-gamética. Não existe alternância nítida de fases nucleares: é característico de seres diplontes (ex.: bodelha).

Relativamente ao ciclo haplodiplonte, este apresenta alternância nítida de fases nucleares. A meiose pré-espórica determina uma haplofase e diplofase bem desenvolvidas. A predominância de uma das fases nucleares depende da espécie (fig.2). É característico dos seres haplodiplontes (açucena e funária).

Figura 2 —In Biologia 12ºano, Areal Editores

A par das alternâncias de fases nucleares, existe também alternâncias de gerações.

Num ciclo de vida, consideram-se duas gerações: a gametófita e a esporófita.

A geração gametófita inicia-se com a germinação dos esporos e termina com a fecundação.

Os esporos originam uma entidade haplóide pluricelular (por mitoses sucessivas), mais ou menos diferenciada – o gametófito.

No gametófito, diferenciam-se os gametângios, que são estruturas que possuem células que, por diferenciação, originam os gâmetas.

Nas plantas os gametângios masculinos designam-se anterídeos; os femininos designam-se por oogónios (os unicelulares) e arquegónios (os pluricelulares). Da geração gametófita fazem parte os esporos, gametófitos e gâmetas. A geração gametófita é bem diferenciada no ciclo haplonte e em alguns ciclos haplodiplontes. No ciclo diplonte, a geração gametófita está reduzida aos gâmetas.

A geração esporófita inicia-se com a segmentação do ovo ou zigoto até à formação dos esporos.

O ovo, por mitoses sucessivas, origina uma entidade diplóide mais ou menos diferenciada – o esporófito.

No esporófito, diferenciam-se estruturas designadas por esporângios, com células que se dividem por meiose e que originam esporos.

Da geração esporófita fazem parte o ovo, o esporófito e os esporângios. A geração esporófita é bem diferenciada nos ciclos diplontes e na maioria dos ciclos haplodiplontes. Nos ciclos haplontes, está reduzida ao ovo ou zigoto.

As plantas apresentam ciclos haplodiplontes com meiose espórica verificando-se uma progressiva redução da haplofase e uma complexidade crescente ao longo da evolução.

A alternância de gerações é nítida, porque os gametófitos e esporófitos são multicelulares .

A geração gametófita, produtora de gâmetas, inclui gametófitos haplóides, que podem ser monóicos (se a espécie produz os dois tipos de gâmetas na mesma planta - femininos e masculinos) ou dióicos (se a espécie produz um só tipo de gâmetas) conforme as espécies.

Os gâmetas produzidos podem ser iguais ou diferentes e as espécies designam-se isogâmicas ou heterogâmicas, respectivamente.

Os esporófitos diplóides, são as entidades mais evoluídas da geração esporófita. Podem ser isospóricos, se produzem esporos iguais, ou heterospóricos se produzem esporos diferentes.

A geração gametófita tornou-se cada vez menos evoluída e a geração esporófita mais diferenciada e complexa, podendo o esporófito adquirir grandes dimensões.

Os ciclos haplodiplontes dos diferentes grupos de plantas apresentam particularidades que permitem distingui-los entre si.

As plantas reproduzem-se assexuadamente através dos vários métodos de multiplicação vegetativa: bipartição, gemulação, esporulação, fragmentação ou multiplicação vegetativa.

O reino das Plantas divide-se em dois filos: as Briófitas e as Traqueófitas.

Esquema 1

Phylum Bryophyta

  • Plantas com organização tecidular muito simples.

  • Não possuem tecidos condutores típicos, nem tecidos de suporte.

  • São plantas de pequeno porte, não atingindo mais de 15 cm.

  • Apresentam características intermédias entre as algas multicelulares com o corpo reduzido a um talo e ás plantas mais desenvolvidas.

  • Constituem um grupo de transição entre o meio aquático e o meio terrestre.

  • Necessitam de humidade para evitarem a desidratação a para se reproduzirem.

  • Não possuem estruturas impermeabilizantes.

  • Os gâmetas masculinos precisam de se deslocar no meio para ir ao encontro da oosfera.

  • Absorvem a humidade através das estruturas aéreas, crescendo melhor em locais sombrios e húmidos.

  • Apresentam ciclo haplodiplonte com predomínio da haplofase.

  • A geração gametófita é autotrófica é mais evoluída do que a geração esporófita, que é menos evoluída e parasita da gametófita.

  • As Briófitas incluem espécies aquáticas e espécies terrestres.

As Briófitas dividem-se em duas classes: as hepáticas e os musgos.

Neste relatório iremos estudar, em particular, a Funária para exemplo de uma espécie do reino plantal, filo das briófitas e classe dos musgos (musci).

Procedimento Experimental:

Material:

  • Lupa binocular;

  • Cultura da Funária;

  • Agulha de dissecação;

  • Vidro de relógio;

  • Pinça;

  • Bisturi;

  • Caixa de Petri.

Métodos:

  1. Retirou-se um fragmento de musgo contendo as estruturas a observar, com a ajuda de um bisturi e uma pinça;

  2. Observou-se esse fragmento (parte folhosa do musgo) à lupa binocular;

  3. Destacou-se, de seguida, com muito cuidado, três esporogónios: um com coifa, outro com sem coifa e, por fim, um sem opérculo;

  4. Observou-se à lupa binocular e registou-se os resultados através de esquemas.

Resultados:

Observação à lupa binocular dos esporogónios

Com coifa Sem coifa Sem opérculo

Legenda:

1. Coifa
2. Opérculo
3. Cápsula
4. seda ou seta
5. Paráfises
6. Dentículos do perístoma
7. Perístoma

NOTA: A abertura do opérculo foi forçada o que levou á saída das paráfises.

Discussão:

A funária é constituída por: coifa, opérculo, cápsula, seda (ou seta), paráfises, dentículo do perístoma e perístoma.

A coifa é uma camada (película) que protege o opérculo. Este, por sua vez, protege todas as estruturas que o constituem interiormente. Fazem parte dele as paráfises, dentículos e o perístoma. Estas estruturas têm como função, libertar os esporos que estão contidos no interior do esporogónio.

A cápsula é a estrutura protectora de todo o esporogónio e é assegurada por uma estrutura de suporte - a seda (ou seta).

A funária é uma planta pouco diferenciada devido há ausência de vasos condutores que têm como função, transportar as seivas (este feito só acontece nas plantas superiores).

A parte folhosa da planta é constituída por rizóides, caulóides, e filóides ou filídeos (fig. 3).

Os rizóides são filamentos que fixam a planta ao solo e, a partir deste retira a água e os sais minerais.

Os filídeos são verdes e estão inseridos no caulóide.

Relativamente à reprodução, a funária reproduz-se assexuadamente e sexuadamente.

Reproduz-se assexuadamente por multiplicação vegetativa. Os caulóides e filídeos têm grande capacidade de originar novas plantas.

Quanto à reprodução sexuada, os musgos podem apresentar espécies monóicas e dióicas. A espécie em estudo é dióica, ou seja produz um só tipo de gâmetas, logo é necessário para a reprodução existir duas plantas. Os gametângios femininos, arquegónios, são estruturas pluricelulares em forma de garrafa cuja porção mais dilatada, ventre, contém o gâmeta feminino, a oosfera. A porção mais estreita e alongada, colo, possui um canal estreito, através do qual se deslocam os gâmetas masculinos.

Os gâmetas masculinos, anterídeos, são estruturas pluricelulares de forma globosa, que se encontram no seio de uma roseta de filídeos e rodeados por pelos estéreis, as paráfises. Após maturação dos anteriores, os gâmetas masculinos, anterozóides, libertam-se para o exterior.

Ciclo de vida

Os anterozóides flagelados deslocam-se na água (dependem da água), entram no colo do arquegónio e descem até ao ventre, onde fecundam a oosfera, originando o ovo ou zigoto.

O zigoto, através de mitoses sucessivas, origina uma estrutura chamada esporogónio, constituído pela seta ou seda e pela cápsula.

O esporogónio prende-se à funária pela seda, através da qual se alimenta.

A cápsula apresenta uma abertura constituída por dentículos, o perístoma, fechada pelo opérculo e recoberta pela coifa. A coifa resulta da parte superior do arquegónio.

No interior da cápsula, na altura da maturação, as células – mães dos esporos (2n), esporângios, dividem-se por meiose e originam os esporos (n). Como os esporos são todos morfologicamente iguais, o esporófito (esporogónio) designa-se isospórico.

Em dias quentes e secos, a coifa e o opérculo, as células da cápsula desidratam, os dentículos do perístoma projectam-se para fora e os esporos libertam-se.

O protonema é originado a partir da germinação dos esporos em ambiente húmido. A estrutura originada é autotrófica filamentosa e ramificada, que vai dar origem por diferenciação, a novos gametófitos - funárias (fig. 4)

Figura 4 — In Biologia 12ºano, Areal Editores

Conclusão:

  • A funária é constituída por:

    • Coifa

    • Opérculo

    • Cápsula

    • Seda (ou seta)

    • Paráfises

    • Dentículo do perístoma

    • Perístoma

  • A funária reproduz-se assexuadamente através da fragmentação vegetativa. Os caulóides e filídeos têm grande capacidade de originar novas plantas.

  • O ciclo de vida da funária inicia-se na deslocação dos anterozóides através da água (depende da água) até entrarem no colo do arquegónio e descem pelo ventre, onde fecundam a oosfera, dando origem ao ovo ou zigoto. Este, por mitoses sucessivas, origina uma estrutura, o esporogónio, constituído pela seta ou seda e pela cápsula. O esporogónio prende-se à funária pela seda, através da qual se alimenta. A cápsula apresenta uma abertura constituída por dentículos, o perístoma, fechada pelo opérculo e recoberta pela coifa. A coifa resulta da parte superior do arquegónio. No interior da cápsula, na altura da maturação, as células mães dos esporos (2n), esporângios, dividem-se por meiose e originam os esporos (n). quando as condições climatéricas estão favorecidas à reprodução, a coifa e o opérculo caem, as células da cápsula desidratam-se. Os esporos, em ambiente húmido, germinam, originando o protonema, estrutura autotrófica filamentosa e ramificada, que origina, por diferenciação, novas funárias (gametófitos).

  • Como a Funária pertence à classe dos musgos que está inserida no filo das Briófitas, como todas as outras espécies pertencentes a este filo, um ciclo haplodiplonte, logo a funária é um ser haplodiplonte.

  • Ciclo é haplodiplonte com predomínio da haplofase.

  • Nos ciclos haplodiplontes a meiose é pré-espórica (ocorre na formação de esporos).

  • Nas Briófitas, a geração mais evoluída é a geração gametófita (autotrófica).

  • Os musgos podem ter espécies monóicas ou dióicas. Se a mesma espécie produzir dois tipos de gâmetas (feminino e masculino) é designada monóica; se produzir um só tipo de gâmetas, ou seja, uma produzir gâmetas femininos e outra produzir gâmetas masculinos, é designada dióica.

  • A espécie estudada (funária) é dióica, logo só poderá reproduzir-se na presença de duas plantas, uma produtora de gâmetas masculinos e outra produtora de gâmetas femininos.

  • Os esporos da funária são morfologicamente iguais, logo trata-se de uma espécie isospórica.

  • Como a funária é dióica, existe uma planta produtora de gâmetas femininos e outra de gâmetas masculinos, então, individualmente, elas produzem gâmetas que são fisio e morfologicamente iguais —isogâmicos — as duas plantas em comparação uma com a outra, os gâmetas da primeira são diferentes dos gâmetas das segundas fisio e morfologicamente —heterogâmicos.

Bibliografia:

LEITE, A.; ALMEIDA, M.; OLIVEIRA, M.; BALÇA, M.; COSTA, S.; — Da Célula ao Organismo bloco I. —Porto: Areal Editores, Maio de 1996.

LEITE, A.; ALMEIDA, M.; OLIVEIRA, M.; BALÇA, M.; COSTA, S.; — Da Célula ao Organismo bloco II. —Porto: Areal Editores, Maio de 1997.

NÁPOLES, A.; BRANCO, M.; —Técnicas laboratoriais de Biologia bloco III. —Lisboa: Didáctica Editora, Maio de 1998.

SOUSA, L.; MACHADO, M.; —Biologia 12º ano - vol. 1. —Porto: Areal Editores, Maio de 1998.

SILVA, A.; e outros,; —Biologia - Ciência da vida. —Porto: Porto Editora, 1993

Na Internet:

http://utweb.utampa.edu/faculty/kbeach/bio203lab/Bryophytes/sld001.htm

http://www.sms.si.edu/sms/plantae.htm

http://www.perspective.com/nature/plantae/index.html